Geração Z no Trabalho: Mobilidade Horizontal como Chave para Reter Talentos Jovens

O Dilema da Rotatividade: Por Que Jovens Talentos Deixam Empresas Brasileiras?

O mercado de trabalho no Brasil enfrenta um desafio persistente: apesar de um fluxo contínuo de oportunidades de emprego, manter profissionais qualificados tem se tornado uma tarefa cada vez mais árdua. A alta rotatividade de funcionários, conhecida como turnover, gera um impacto financeiro considerável para as organizações. Estima-se que o custo possa equivaler a até dois salários por colaborador, segundo dados recentes da Gupy. Esse cenário se acentua quando olhamos para a Geração Z, que até 2030 deverá compor 30% da força de trabalho global.

Essa nova geração de profissionais demonstra uma inclinação maior para a mudança frequente de empregos, um comportamento apelidado de “job hopping”. Dados da Randstad indicam que a Geração Z lidera o ranking de rotatividade, com uma taxa de 22%. No contexto brasileiro, a situação é igualmente expressiva: uma pesquisa revela que 29% dos jovens planejam deixar seus empregos atuais em menos de um ano.

Desengajamento: Um Sinal de Alerta para as Empresas

Diante desse panorama, muitos empregadores interpretam a movimentação da Geração Z como um reflexo de descomprometimento. No entanto, essa visão pode ser simplista e ignorar fatores cruciais. O desengajamento de colaboradores, especialmente os mais jovens, muitas vezes é desencadeado pela ausência de perspectivas claras sobre o desenvolvimento de carreira e um investimento insuficiente das empresas em seu crescimento profissional. Uma realidade alarmante é que 68% das companhias brasileiras carecem de programas de mobilidade interna bem estruturados. Essa lacuna dificulta a retenção de talentos que já se adaptaram à cultura organizacional e demonstram potencial.

Rômulo Martins, Diretor de Produto na Gupy, destaca a mentalidade da Geração Z: “A Geração Z busca evoluir rapidamente, sentir que está aprendendo constantemente e ter clareza sobre os próximos passos em sua trajetória profissional. Quando as empresas implementam programas de mobilidade interna eficazes, elas sinalizam que esse crescimento é possível dentro da própria organização, eliminando a necessidade de o profissional buscar novas oportunidades no mercado externo.”

Mobilidade Horizontal: Um Novo Horizonte para a Retenção

Ao contrário das gerações anteriores, que frequentemente priorizavam a ascensão vertical em suas carreiras, a Geração Z apresenta um leque de prioridades mais amplo. Para eles, o aprendizado contínuo, a flexibilidade de horários e de modelos de trabalho, a saúde mental e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional são tão importantes quanto a progressão para cargos de liderança. Nesse contexto, as oportunidades de migrar para diferentes áreas, participar de projetos diversificados ou mudar de especialidade dentro da mesma empresa – ou seja, a mobilidade horizontal – emergem como estratégias poderosas para garantir o engajamento e a permanência desses profissionais.

Martins complementa essa visão: “A Geração Z não almeja apenas subir na hierarquia; eles desejam se expandir. Buscam protagonismo e novas experiências de aprendizado em diferentes contextos.” Ele enfatiza que o desenvolvimento de pessoas vai além de prepará-las para posições de gestão. Trata-se de permitir que recalibrem suas rotas profissionais sem a necessidade de pedir demissão. Uma empresa que falha em desenvolver uma estratégia sólida de mobilidade interna horizontal está, na prática, abrindo mão de seus talentos mais promissores, entregando-os diretamente para a concorrência.

Tecnologia como Aliada na Mobilidade Interna

Um dos principais obstáculos para a implementação eficaz da mobilidade interna é a falta de visibilidade sobre as oportunidades e os perfis dos colaboradores. Muitos gestores e equipes de RH lutam para identificar talentos internos com potencial para novas funções ou para conectar colaboradores com projetos que poderiam impulsionar seu desenvolvimento. A tecnologia surge como uma aliada fundamental nesse processo, oferecendo soluções para mapear competências, divulgar vagas internas e facilitar a comunicação entre áreas.

Plataformas de gestão de talentos e sistemas de People Analytics podem fornecer insights valiosos sobre o desempenho, as aspirações e as habilidades dos funcionários. Ao utilizar essas ferramentas, as empresas podem criar trilhas de carreira mais personalizadas e transparentes, permitindo que os próprios colaboradores explorem novas possibilidades dentro da organização. Isso não só aumenta o engajamento, mas também otimiza o uso de recursos humanos, aproveitando ao máximo o potencial já existente na companhia.

O Impacto da Mobilidade Horizontal no Engajamento e na Cultura Organizacional

A adoção de uma estratégia de mobilidade horizontal vai além da simples retenção de talentos. Ela contribui significativamente para a construção de uma cultura organizacional mais dinâmica, colaborativa e inovadora. Quando os funcionários têm a chance de explorar diferentes áreas e projetos, eles adquirem novas perspectivas, desenvolvem um entendimento mais amplo do negócio e criam conexões interdepartamentais mais fortes. Isso fomenta um ambiente de aprendizado contínuo e estimula a criatividade na resolução de problemas.

Além disso, a mobilidade horizontal demonstra aos colaboradores que a empresa valoriza seu crescimento e está disposta a investir em seu desenvolvimento a longo prazo. Essa percepção de valorização é um dos pilares para a construção de um relacionamento de confiança e lealdade entre empregado e empregador. Para a Geração Z, que busca propósito e impacto em seu trabalho, a oportunidade de contribuir em diferentes frentes e aprender novas habilidades é um diferencial competitivo para a empresa.

Empresas que priorizam a mobilidade interna, especialmente a horizontal, não apenas combatem o alto índice de rotatividade, mas também cultivam um corpo de funcionários mais engajado, multifacetado e preparado para os desafios de um mercado em constante transformação. Ignorar essa tendência é arriscar perder uma parcela significativa do talento emergente e da força inovadora que impulsionará o futuro.

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