Diagnóstico Alarmante: Empresas Brasileiras Lutam por Consistência na Gestão de Desempenho
Uma análise aprofundada do cenário corporativo brasileiro revela um quadro desafiador e, em muitos aspectos, inconsistente quando se trata da gestão de desempenho. Embora a maioria das organizações já tenha implementado programas formais para avaliar, desenvolver e recompensar seus colaboradores, a aplicação prática desses sistemas ainda carece de uniformidade e maturidade.
A pesquisa, conduzida pela renomada consultoria Korn Ferry e envolvendo 264 empresas em território nacional, lança luz sobre as lacunas que impedem que a gestão de desempenho atinja seu pleno potencial como motor estratégico para o crescimento e a excelência organizacional.
A Fragmentação dos Processos e a Desigualdade na Liderança
Um dos pontos mais críticos identificados pelo estudo é a fragmentação dos processos de gestão de desempenho. A pesquisa indica que, embora programas formais existam em diversos níveis hierárquicos, a homogeneidade na aplicação é uma meta ainda distante. A falta de calibração consistente em todos os escalões da empresa e a maturidade desigual das lideranças em conduzir avaliações eficazes são obstáculos significativos.
Isso se traduz em experiências díspares para os colaboradores. Enquanto alguns podem se beneficiar de um processo robusto e justo, outros podem se deparar com avaliações subjetivas ou incompletas, gerando frustração e desengajamento. A capacidade de oferecer um feedback construtivo e orientado para o desenvolvimento é um diferencial que muitas lideranças ainda precisam aprimorar.
A Comunicação como Ponto Cego: Ruídos e Falta de Feedback
A comunicação emerge como um dos principais gargalos nesse processo. A dificuldade em traduzir as metas macro da organização em objetivos claros e alcançáveis para as equipes locais é um problema recorrente. Em tempos de trabalho híbrido e remoto, os ruídos na comunicação se intensificam, comprometendo a clareza das expectativas e a percepção de justiça.
Adicionalmente, a baixa cultura de feedback dentro de muitas empresas é um fator que mina a credibilidade do sistema de gestão de desempenho. Sem um fluxo contínuo e aberto de conversas sobre performance, desenvolvimento e reconhecimento, os colaboradores não se sentem verdadeiramente apoiados em suas trajetórias profissionais. A ausência de um diálogo transparente e honesto pode levar a um sentimento de desvalorização e falta de propósito.
Avanços Timidos e a Necessidade de Adaptação
O estudo da Korn Ferry também aponta para avanços tímidos na incorporação de indicadores relacionados a ESG (Ambiental, Social e Governança) e diversidade nos acordos de metas. Embora haja uma crescente conscientização sobre a importância desses temas, sua integração efetiva nos sistemas de avaliação ainda é um processo lento.
A adoção de modelos de trabalho mais ágeis em algumas empresas contrasta com a lentidão dos sistemas de avaliação em se adaptar. A busca por um equilíbrio entre a padronização necessária para a comparabilidade e a flexibilidade exigida pelos novos modelos de trabalho representa um desafio complexo. A rigidez dos processos tradicionais pode, na verdade, inibir a inovação e a colaboração, pilares essenciais para o sucesso em ambientes dinâmicos.
O Chamado à Ação: Clareza, Governança e Liderança Preparada
Para a Korn Ferry, a mensagem é inequívoca: a gestão de desempenho só se consolida como uma ferramenta estratégica poderosa quando há clareza nos objetivos, governança robusta dos processos e, fundamentalmente, um preparo adequado da liderança. Sem esses elementos, o sistema se torna um mero exercício burocrático, incapaz de impulsionar o desenvolvimento individual e coletivo.
As empresas que desejam prosperar no cenário competitivo atual precisam investir na capacitação de seus líderes para que sejam agentes de feedback, desenvolvimento e reconhecimento. A criação de uma cultura organizacional que valorize a performance, mas também o aprendizado contínuo e o bem-estar dos colaboradores, é um passo crucial.
A adaptação dos sistemas de avaliação para refletir as novas realidades do trabalho, incorporando métricas relevantes de sustentabilidade e diversidade, e promovendo uma comunicação aberta e transparente, são investimentos que trazem retornos significativos em termos de engajamento, produtividade e inovação. Ignorar esses aspectos é correr o risco de perder talentos e oportunidades valiosas.
A gestão de desempenho no Brasil está em um ponto de inflexão. A oportunidade de transformar essa prática de um processo formal para um diferencial competitivo real está ao alcance das organizações que estiverem dispostas a enfrentar seus desafios com visão estratégica e compromisso com o desenvolvimento humano.
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