Índice do Artigo
- Pontos Principais
- O Impacto Real dos Transtornos Emocionais no Ambiente Corporativo
- Responsabilidade Corporativa e o Papel da Liderança
- Estratégias e Ferramentas para o Bem-Estar Corporativo
- Competências Essenciais para Líderes e o Futuro da Saúde Mental Corporativa
- Perguntas Frequentes
- Qual o principal custo associado aos transtornos emocionais no trabalho, segundo o estudo da Zurich?
- Como a liderança pode contribuir para um ambiente de trabalho psicologicamente seguro?
- Quais são as iniciativas da Zurich Seguros para apoiar a saúde mental de seus colaboradores?
Pontos Principais
- Estudo global da Zurich revela que custos de transtornos emocionais no trabalho vão além do sistema de saúde, impactando produtividade e famílias.
- Mônica Matias, da Zurich Seguros, defende o papel crucial de empregadores e líderes na promoção de ambientes psicologicamente seguros e no apoio a colaboradores.
- A executiva enfatiza a importância da autoconsciência individual e da saúde mental como pilar para a cultura organizacional e sustentabilidade do negócio.
- A empresa adota estratégias como monitoramento de queixas e plataformas de apoio psicológico para identificar e mitigar problemas de saúde mental.
- A Zurich planeja expandir o cuidado com a saúde mental através de um programa de “socorristas emocionais”, envolvendo todos os colaboradores.
A Entrevista: Mônica Matias, superintendente de Talento & Cultura da Zurich Seguros, aborda uma perspectiva transformadora sobre a saúde mental no ambiente corporativo. Um estudo recente conduzido pela própria Zurich, intitulado “O Valor da Saúde Mental”, desmistifica a ideia de que os custos de transtornos emocionais na força de trabalho se limitam a despesas médicas formais. Em vez disso, a pesquisa aponta para impactos significativos em afastamentos prolongados, dificuldades de reinserção profissional, queda na qualidade de vida e sobrecarga familiar. No Brasil, dados da Previdência Social de 2026 indicam mais de 546 mil ausências decorrentes de sofrimento psíquico e comportamental, um número alarmante e o maior registrado na última década. Essa realidade sublinha a urgência de uma abordagem proativa por parte das empresas.
Diante desse cenário, Mônica Matias, superintendente de Talento & Cultura da Zurich Seguros no Brasil, destaca a responsabilidade intrínseca dos empregadores e da liderança na identificação precoce de questões de saúde mental. Ela ressalta a necessidade de oferecer suporte contínuo aos colaboradores e de cultivar um ecossistema corporativo que priorize a segurança psicológica. Mais do que isso, a executiva defende um protagonismo individual, onde cada pessoa assuma a responsabilidade por sua própria condição e evolução emocional. Em suas palavras, discutir saúde mental é enxergar o indivíduo em sua totalidade, tratando uma preocupação coletiva como um elemento estratégico para o fortalecimento da cultura organizacional. Esse cuidado integral, segundo Matias, é o alicerce para a confiança, o engajamento, a alta performance e a sustentabilidade de qualquer negócio.
O Impacto Real dos Transtornos Emocionais no Ambiente Corporativo
O estudo global “O Valor da Saúde Mental” da Zurich Seguros traz à tona uma constatação preocupante: os custos associados a transtornos emocionais em adultos economicamente ativos transcendem os gastos com sistemas de saúde convencionais. Os dados revelam que as maiores perdas financeiras e operacionais advêm de afastamentos de longa duração, a complexidade inerente à reintegração de profissionais após licenças e a deterioração da qualidade de vida não apenas dos indivíduos, mas também de seus entes familiares. No contexto brasileiro, os números são expressivos. Em 2026, a Previdência Social registrou mais de 546 mil afastamentos motivados por sofrimento psíquico e comportamental, consolidando-se como o pico de ausências por essa causa nos últimos dez anos. Essa métrica alarmante serve como um chamado à ação para as empresas.
Mônica Matias, ao compartilhar suas perspectivas, enfatiza que o trabalho pode ser tanto um fator de proteção quanto um gatilho de risco para a saúde mental. Essa dualidade exige que as organizações reavaliem seu papel e sua responsabilidade. A executiva da Zurich Seguros argumenta que as empresas possuem um papel mais proeminente do que se imaginava na promoção do bem-estar psicológico de seus colaboradores. A forma como o ambiente de trabalho é estruturado, as relações interpessoais e as demandas impostas podem influenciar diretamente o estado de saúde mental dos profissionais.
Responsabilidade Corporativa e o Papel da Liderança
A discussão sobre saúde mental no ambiente de trabalho exige uma mudança de paradigma, onde a responsabilidade não recai exclusivamente sobre o indivíduo. Mônica Matias defende que as empresas, e em particular suas lideranças, têm um papel fundamental na criação de mecanismos de apoio e prevenção. Identificar sinais precoces de sofrimento psíquico, oferecer suporte adequado e construir um ambiente onde os colaboradores se sintam seguros para expressar suas vulnerabilidades são passos cruciais. Essa abordagem proativa não apenas mitiga os riscos associados a transtornos emocionais, mas também fortalece a cultura organizacional, promovendo um clima de confiança e colaboração.
A executiva da Zurich Seguros também ressalta a importância da autoconsciência e do protagonismo de cada indivíduo em relação à sua própria saúde mental. É um esforço conjunto: a empresa oferece o suporte e o ambiente, enquanto o colaborador se engaja em seu autocuidado e busca ajuda quando necessário. Essa simbiose é essencial para garantir o bem-estar de todos e a sustentabilidade do negócio. Matias compara a abordagem da saúde mental à forma como lidamos com outras questões de saúde, como uma dor de dente, defendendo que a busca por ajuda psicológica deve ser tão naturalizada quanto qualquer outro cuidado com o corpo.
A entrevista para a Você RH desdobra a visão de que falar sobre saúde mental é olhar para o ser humano em sua integralidade. É entender que essa questão, que afeta a todos, deve ser tratada como uma estratégia de fortalecimento da cultura organizacional. O cuidado com a saúde mental, quando genuíno e integrado, proporciona confiança, estimula a participação ativa dos colaboradores e, consequentemente, impulsiona a boa performance e a sustentabilidade do negócio. Essa visão de longo prazo é fundamental para CEOs e conselhos de administração que buscam não apenas resultados financeiros, mas também um ambiente de trabalho saudável e produtivo.
Estratégias e Ferramentas para o Bem-Estar Corporativo
A Zurich Seguros tem implementado diversas iniciativas para endereçar a questão da saúde mental em seu quadro de colaboradores. Mônica Matias detalha o uso de ferramentas como um canal de escuta emergencial e a plataforma Conexa, que oferece sessões com psicólogos. O monitoramento mensal das principais queixas recebidas por diretoria permite à empresa identificar padrões e desenvolver ações específicas, além de acompanhar de perto as necessidades de cada equipe. Essa abordagem baseada em dados auxilia na tomada de decisões estratégicas e na personalização do suporte oferecido.
A superação do estigma associado à saúde mental no ambiente corporativo é um desafio contínuo. Matias reconhece que o caminho para a completa naturalização do tema é longo e envolve uma transformação cultural profunda. Ela aponta para a importância do papel das universidades na formação de profissionais de saúde mental qualificados, mas também para a necessidade de as empresas criarem espaços seguros para diálogo e acolhimento. A meta é que os colaboradores se sintam confortáveis em discutir suas questões psicológicas com a mesma naturalidade com que abordariam um problema físico.
A executiva reitera a ideia de que a saúde mental deve ser vista como um investimento, e não como um custo. Para demonstrar esse retorno aos líderes de negócio, a Zurich realizou um mapeamento de riscos psicossociais durante exames periódicos de saúde ocupacional. A análise desses dados, coletados de forma discreta e natural, revelou um baixo índice de queixas relacionadas a crises e um absenteísmo por saúde mental significativamente inferior à média do mercado. Esses indicadores reforçam a percepção de que a empresa está no caminho certo, fomentando um ambiente que protege o bem-estar de seus profissionais.
A questão do presenteísmo – quando um profissional está fisicamente presente, mas com a produtividade comprometida devido a questões emocionais – também é um ponto de atenção. Embora a responsabilidade pela produtividade seja compartilhada, a liderança tem um papel vital em conduzir conversas genuínas, gerenciar demandas de forma eficaz e acolher aqueles que retornam de licenças. A disposição do colaborador em se abrir e buscar ajuda é igualmente fundamental para que receba o suporte necessário.
Competências Essenciais para Líderes e o Futuro da Saúde Mental Corporativa
Para que os gestores possam desempenhar seu papel de apoio à saúde mental sem se sobrecarregar ou invadir o espaço de profissionais de saúde, o desenvolvimento de competências específicas é essencial. A escuta ativa é uma delas, permitindo que os líderes compreendam as necessidades de suas equipes. Além disso, temas como inteligência emocional, delegação situacional – que capacita os líderes a lidar com diferentes perfis e situações de crise – e a habilidade de conduzir conversas corajosas são incentivados. Essas competências preparam os gestores para abordar temas delicados com empatia e adequação ao perfil de cada colaborador.
Olhando para o futuro, Mônica Matias vislumbra a ampliação do olhar de todos os colaboradores sobre como acolher cenários de fragilidade emocional. A Zurich tem planos de implementar um programa de “socorristas emocionais”, estendendo o cuidado para além do círculo de liderança. A iniciativa visa capacitar todos os membros da equipe a identificar sinais de sofrimento psicológico em colegas e a oferecer um apoio inicial qualificado. Essa abordagem visa integrar o suporte à saúde mental de forma orgânica à cultura da empresa, beneficiando não apenas os colaboradores, mas também suas famílias e, consequentemente, a sustentabilidade do negócio.
A discussão sobre saúde mental nas empresas ganha contornos de investimento estratégico, onde o bem-estar dos colaboradores se traduz em resultados tangíveis para o negócio. Empresas que priorizam a saúde psicológica de suas equipes colhem os frutos em forma de maior engajamento, menor rotatividade, aumento da produtividade e uma cultura organizacional mais resiliente e humana. A experiência da Zurich Seguros, compartilhada por Mônica Matias, serve como um modelo inspirador para outras organizações que buscam construir ambientes de trabalho mais saudáveis e prósperos. Para entender mais sobre como o mercado de trabalho tem evoluído e a busca por propósito, confira também o artigo sobre as motivações dos brasileiros na busca por novas carreiras.
A complexidade da gestão de equipes e as mudanças no mercado de trabalho, como as que afetam o setor supermercadista com a escala 6×1, reforçam a importância de estratégias de RH flexíveis e adaptáveis, que considerem o bem-estar dos profissionais. Em busca de oportunidades, saber como conseguir um emprego rápido e sem estresse é fundamental. Para quem busca vagas em regiões específicas, confira as oportunidades em Acre e em Petrolina.
Perguntas Frequentes
Qual o principal custo associado aos transtornos emocionais no trabalho, segundo o estudo da Zurich?
O principal custo associado aos transtornos emocionais no trabalho, conforme aponta o estudo “O Valor da Saúde Mental” da Zurich Seguros, não reside nos sistemas formais de saúde, mas sim nos afastamentos prolongados de profissionais, na dificuldade de reinserção no mercado após licenças, na queda da qualidade de vida dos indivíduos e na sobrecarga das famílias.
Como a liderança pode contribuir para um ambiente de trabalho psicologicamente seguro?
A liderança pode contribuir significativamente para um ambiente psicologicamente seguro ao praticar a escuta ativa, demonstrar inteligência emocional, conduzir conversas corajosas e empáticas sobre saúde mental, gerenciar demandas de forma equilibrada e acolher de maneira genuína os colaboradores que retornam de licenças ou que buscam apoio. É essencial criar um espaço onde os funcionários se sintam à vontade para expressar suas vulnerabilidades sem medo de julgamento ou retaliação.
Quais são as iniciativas da Zurich Seguros para apoiar a saúde mental de seus colaboradores?
A Zurich Seguros adota uma abordagem multifacetada para apoiar a saúde mental de seus colaboradores, incluindo o oferecimento de um canal de escuta emergencial, acesso a plataformas de telepsicologia como a Conexa, e o monitoramento regular das queixas para o desenvolvimento de ações direcionadas. A empresa também planeja implementar um programa de “socorristas emocionais” para capacitar todos os funcionários a oferecerem suporte inicial a colegas em sofrimento psicológico.
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