Confiança em líderes diretos supera a do topo corporativo, aponta estudo global

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Pontos Principais

  • Profissionais confiam mais em gestores próximos do que em CEOs de alto escalão.
  • A comunicação eficaz é fundamental para construir confiança, independentemente da hierarquia.
  • Estudo revela que a linguagem e o discurso impactam diretamente a percepção de credibilidade.
  • Empresas que promovem lideranças com habilidades de comunicação têm maior retenção e produtividade.

Introdução

Dados recentes de pesquisa global demonstram que a confiança dos colaboradores em seus gestores de linha direta é significativamente maior do que na figura do CEO da organização. Este fenômeno, que evidencia uma disparidade de até 13 pontos percentuais, revela que a percepção de liderança está fortemente ligada à comunicação e ao modo como o líder se relaciona com sua equipe. Para compreender essa dinâmica, é fundamental analisar os fatores que influenciam a credibilidade dentro do ambiente corporativo e como a linguagem empregada pelos líderes pode alterar essa percepção.

O que os dados revelam sobre a confiança em líderes de diferentes níveis

Segundo o Edelman Trust Barometer 2026, uma pesquisa que entrevistou quase 34 mil pessoas em 28 países, a confiança no líder direto chega a 61%, equivalente à confiança que as pessoas têm na família próxima ou nos vizinhos. Em contrapartida, a confiança nos CEOs em geral cai para 48%, o que indica uma redução significativa na percepção de credibilidade ao se afastar do líder imediato.

Essa diferença não é uma questão de personalidade ou carisma individual, mas sim de como o líder comunica suas ideias, valores e intenções. Quando um gestor consegue estabelecer uma comunicação clara, empática e inclusiva, consegue conquistar a confiança de seu time, independentemente de sua posição hierárquica. Caso contrário, sua credibilidade sofre um impacto direto, dificultando o alinhamento de objetivos e a fidelidade da equipe.

A influência da linguagem na construção da confiança

O estudo destaca que o fator determinante na percepção de confiabilidade é a forma como o líder se comunica. Ele chama esse fenômeno de “insularidade” — ou seja, a tendência de líderes que só se comunicam de forma eficaz com quem pensa igual, excluindo opiniões divergentes. Dentro das empresas, essa postura resulta em resistência, afastamento e até mesmo na decisão de mudança de departamento por parte dos funcionários.

Dados mostram que 42% dos colaboradores admitiriam que se esforçariam menos para ajudar um líder com valores diferentes dos seus, reforçando que a comunicação é uma ferramenta poderosa para engajamento e alinhamento. Além disso, há uma discrepância de 29 pontos entre o que os colaboradores esperam de um CEO — que é a construção de pontes entre grupos diversos — e o que realmente percebem na prática, que é uma comunicação que reforça diferenças.

O papel das competências de liderança na reconstrução da confiança

Para além do carisma, o estudo aponta que líderes confiáveis dominam habilidades de linguagem que lhes permitem ouvir com atenção, traduzir realidades distintas e criar um diálogo que atinja diferentes públicos. Essas competências não estão vinculadas à personalidade, mas podem ser treinadas e aperfeiçoadas ao longo do tempo.

Empresas que investem no desenvolvimento dessas habilidades percebem melhorias na retenção de talentos, na produtividade e na cultura organizacional como um todo. Um gestor que consegue falar de forma acessível, que demonstra empatia e que busca compreender diferentes perspectivas é visto como um verdadeiro agente de confiança — semelhante ao líder que, no dia a dia, se relaciona como um vizinho amigável.

O que a maioria das empresas brasileiras ainda falha em fazer

Apesar da evidência de que a comunicação é crucial na construção de confiança, muitas organizações no Brasil continuam focando apenas em aspectos técnicos de desenvolvimento de liderança, como oratória ou presença de palco. Essas ações, embora importantes, não resolvem o núcleo do problema: a capacidade de estabelecer diálogos autênticos com diferentes públicos.

Levar líderes a entenderem que o discurso é uma ferramenta de conexão e não apenas de apresentação é uma mudança de paradigma. Sem essa mudança, mesmo líderes treinados em técnicas de comunicação continuarão a se comunicar com um público limitado e fechado, o que reforça a disparidade de confiança entre gestores de linha e CEOs.

Conclusão

O estudo reforça que, na era da transparência e da diversidade, a credibilidade de um líder está mais ligada à sua habilidade de linguagem do que ao cargo ocupado. CEOs que investem em construir pontes através de uma comunicação empática, clara e inclusiva tendem a conquistar maior confiança e engajamento de suas equipes.

Para os gestores brasileiros, essa é uma oportunidade de repensar suas estratégias de liderança, focando no desenvolvimento de competências de comunicação que possam aproximar-se das expectativas de seus times. Afinal, a confiança, mais do que uma questão de hierarquia, é uma construção contínua baseada na forma como nos relacionamos e nos expressamos no ambiente de trabalho.

Para aprofundar o tema, confira também como transformar seu currículo em uma ferramenta de conexão.

Perguntas Frequentes

Como a linguagem influencia a confiança em líderes corporativos?

A linguagem é o principal meio pelo qual os líderes comunicam seus valores, intenções e empatia. Uma comunicação clara, transparente e inclusiva ajuda a criar um senso de proximidade e credibilidade, enquanto discursos fechados ou excludentes tendem a gerar desconfiança.

Por que líderes de linha direta tendem a inspirar mais confiança do que CEOs?

Porque esses líderes são mais acessíveis e se comunicam de forma direta com suas equipes, gerando maior entendimento e conexão. Além disso, sua postura costuma refletir mais a cultura e os valores do time, o que favorece a construção de confiança mútua.

Como desenvolver habilidades de comunicação para líderes?

Investir em treinamentos de escuta ativa, tradução de realidades e diálogo empático é fundamental. Além disso, praticar a comunicação de forma consciente, buscando entender diferentes perspectivas, ajuda a construir relacionamentos mais sólidos e confiáveis.

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