Índice do Artigo
- Pontos Principais
- Desafios e Adaptações Empresariais em Meio à Redução de Jornada
- Lições da Colômbia e do Chile para a Jornada Reduzida
- A Tendência Mundial de Trabalhar Menos
- Perguntas Frequentes
- Quais foram as principais mudanças trabalhistas na Colômbia?
- Como as empresas colombianas reagiram às novas leis?
- A redução da jornada de trabalho na Colômbia gerou desemprego?
- Qual a lição principal da experiência colombiana e chilena para outros países?
Pontos Principais
- A Colômbia reduziu gradualmente a jornada de trabalho semanal para 42 horas, com a meta final de 42 horas em julho de 2026.
- Paralelamente, um aumento significativo no salário mínimo e melhorias no adicional noturno impulsionaram os ganhos dos trabalhadores.
- Empresários relatam desafios com custos operacionais e adaptações, como fechamento antecipado de estabelecimentos e maior automação.
- Apesar das dificuldades empresariais, o mercado de trabalho colombiano exibe um cenário positivo, com desemprego em níveis historicamente baixos.
- A experiência colombiana, aliada a casos como o do Chile, sugere que a gradualidade e a adaptação produtiva são chaves para a implementação bem-sucedida de jornadas reduzidas.
Em um movimento que contrasta com debates em outras nações sul-americanas, o país vizinho do Brasil onde empregados passaram a trabalhar menos e a ganhar mais (com desemprego na mínima histórica), a Colômbia, concluiu um ciclo de importantes transformações em sua legislação trabalhista. A partir de meados de julho de 2026, a carga horária máxima semanal para empregados assalariados foi fixada em 42 horas. Essa medida representa o ápice de um processo gradual de redução de seis horas, iniciado com a aprovação da lei em 2021 e implementado ao longo de cinco anos.
Enquanto o Brasil ainda discute propostas para diminuir a jornada de 44 para 40 horas semanais e debater o fim da escala 6×1, a Colômbia avançou em sua regulamentação. É importante notar que, diferentemente de algumas discussões brasileiras, a lei colombiana não impôs a obrigatoriedade de um mínimo de dois dias de folga semanais. No entanto, a consolidação da redução de 48 para 42 horas semanais, iniciada durante o governo de Iván Duque, foi complementada por uma reforma trabalhista significativa aprovada em 2026, sob a gestão de Gustavo Petro. Esta reforma incluiu um aumento expressivo de 23,7% no salário mínimo nacional, além de otimizar os ganhos dos trabalhadores através da ampliação do período considerado para o cálculo do adicional noturno.
Desafios e Adaptações Empresariais em Meio à Redução de Jornada
A combinação dessas duas reformas — a jornada de trabalho reduzida e o aumento salarial — tem gerado repercussões no setor empresarial colombiano. Entidades representativas do comércio e da indústria têm reportado dificuldades crescentes para as empresas em manter seus planos de expansão e contratação. Em resposta a esses novos custos operacionais e à necessidade de otimização, muitas empresas têm buscado alternativas:
- Fechamento antecipado de estabelecimentos: Supermercados e outros pontos de varejo, que tradicionalmente operam em horários estendidos, passaram a encerrar suas atividades mais cedo.
- Aumento da automação: Investimentos em tecnologia para automatizar serviços e processos têm sido uma estratégia para compensar a redução da força de trabalho disponível ou para otimizar a eficiência.
- Revisão de planos de contratação: Algumas empresas foram forçadas a ajustar ou mesmo suspender planos futuros de contratação.
O economista Stefano Farné, diretor do Observatório do Mercado de Trabalho e Seguridade Social da Universidade Externado, em Bogotá, avalia que, apesar dos desafios, o cenário geral do mercado de trabalho na Colômbia está longe de ser desolador. Ele destaca que os custos unitários por trabalhador, de fato, aumentaram, mas a produtividade e a eficiência podem compensar em parte essa elevação. Setores como varejo, hotelaria, restauração e segurança privada, que dependem fortemente de horários estendidos, são os mais afetados pela nova regulamentação.
A Federação Nacional de Comerciantes (Fenalco) indicou que uma parcela significativa de empresários entrevistados relatou redução no número de empregados e modificações em seus planos de contratação futura. Dados preliminares de 2026 apontam para uma desaceleração na abertura de novas empresas, embora a capacidade empreendedora colombiana continue sendo um ponto forte.
Lições da Colômbia e do Chile para a Jornada Reduzida
Comparar a experiência colombiana com a brasileira exige cautela, pois as reformas trabalhistas na Colômbia foram multifacetadas. No entanto, o economista Stefano Farné aponta para lições internacionais valiosas, com destaque para a importância da gradualidade na implementação de mudanças na jornada de trabalho. A Colômbia, ao adotar um período de cinco anos para a transição, permitiu que empresas e trabalhadores se adaptassem progressivamente. Essa abordagem gradual é uma recomendação amplamente aceita para evitar choques abruptos no mercado de trabalho.
O Brasil, em suas discussões, prevê uma transição semelhante, com a jornada sendo reduzida para 42 horas inicialmente e, posteriormente, para 40 horas. Esta estratégia visa dar tempo para que as empresas ajustem seus modelos operacionais e para que os trabalhadores se adaptem às novas rotinas.
Um caso semelhante de sucesso na implementação de jornadas reduzidas pode ser observado no Chile. A partir de 2001, os trabalhadores chilenos tiveram sua jornada semanal máxima reduzida de 48 para 45 horas. Estudos empíricos sobre essa transição, como o do economista chileno Rafael Sanchéz, indicam que os efeitos no mercado de trabalho foram marginais e, em muitos casos, não estatisticamente significativos em termos de criação ou perda de vagas. O que se observou foi uma melhor remuneração por hora trabalhada, já que os salários não foram reduzidos proporcionalmente à diminuição da jornada.
As empresas chilenas reagiram a essa mudança utilizando o período de transição para otimizar seus processos produtivos e redistribuir tarefas. Essa capacidade de adaptação foi fundamental para absorver o aumento do custo por hora sem a necessidade de demissões em massa. Sanchéz acompanhou a trajetória de milhares de trabalhadores e constatou que a redução da jornada não impactou negativamente a empregabilidade.
A Tendência Mundial de Trabalhar Menos
Tanto a experiência colombiana quanto a chilena, somadas a tendências globais, reforçam a ideia de que a redução da jornada de trabalho é uma direção para a qual o mundo caminha. Especialistas como Stefano Farné reconhecem que é uma tendência à qual não se pode resistir. Contudo, ele ressalta que a América do Sul não precisa replicar imediatamente as jornadas de 36 horas de alguns países europeus. A sugestão é que o avanço ocorra de forma ponderada e adaptada às realidades locais.
Para quem busca se inserir ou se recolocar no mercado de trabalho em meio a essas mudanças, a preparação contínua é essencial. Entender como elaborar um currículo eficaz, especialmente para quem está em busca da primeira oportunidade, é um passo importante. Confira também o guia completo sobre como fazer currículo sem experiência e como montar um currículo simples que aumente suas chances de ser chamado para entrevistas. Para aqueles que buscam oportunidades em regiões específicas, como em Santa Catarina, existe um guia prático para encontrar as melhores vagas.
A adaptação a um mercado em transformação também passa por saber quais informações destacar. Para aprofundar sobre o tema, veja quais estratégias usar para causar a primeira impressão certa no currículo e um guia prático sobre como fazer currículo para primeiro emprego.
Perguntas Frequentes
Quais foram as principais mudanças trabalhistas na Colômbia?
As principais mudanças na legislação trabalhista colombiana, implementadas gradualmente e com conclusão prevista para julho de 2026, incluem a redução da jornada de trabalho semanal para no máximo 42 horas e um aumento significativo de 23,7% no salário mínimo nacional. Adicionalmente, houve uma ampliação do período considerado para o pagamento de adicionais noturnos, o que também contribuiu para o aumento da remuneração dos trabalhadores.
Como as empresas colombianas reagiram às novas leis?
As empresas colombianas têm enfrentado desafios com o aumento dos custos operacionais e a necessidade de adaptação. Relatos indicam que muitas organizações implementaram medidas como o fechamento antecipado de estabelecimentos, o investimento em automação de serviços e a revisão de planos de contratação futura. Setores que operam em horários estendidos, como o varejo e a hotelaria, foram particularmente impactados.
A redução da jornada de trabalho na Colômbia gerou desemprego?
Apesar dos desafios enfrentados pelas empresas, o mercado de trabalho colombiano tem apresentado um cenário positivo, com o desemprego atingindo mínimas históricas. Especialistas apontam que a gradualidade da implementação da jornada reduzida e a capacidade de adaptação das empresas, juntamente com outras reformas que impulsionaram a economia, ajudaram a mitigar um aumento significativo do desemprego. A experiência chilena, com redução de jornada anterior, também demonstrou efeitos marginais no mercado de trabalho.
Qual a lição principal da experiência colombiana e chilena para outros países?
A lição principal extraída das experiências colombiana e chilena é a importância da gradualidade na implementação de reduções na jornada de trabalho. Permitir um período de transição adequado possibilita que empresas e trabalhadores se ajustem às novas realidades, otimizem processos produtivos e redistribuam tarefas, minimizando impactos negativos no emprego e na produtividade. A adaptação empresarial e a melhoria da remuneração por hora trabalhada também são aspectos cruciais.
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