Não Deixe a Licença-Paternidade Roubar Sua Carreira: Entenda os Impactos Ocultos para Mulheres

Mudanças na licença-paternidade podem impactar contratação e carreira de mulheres; entenda

Quando falamos sobre Mudanças na licença-paternidade podem impactar contratação e carreira de mulheres; entenda, é essencial entender os principais aspectos que envolvem este tema. A recente aprovação da ampliação da licença-paternidade no Brasil, sancionada em 31 de abril de 2026, gerou uma onda de discussões que transcendem o direito ao afastamento parental. A legislação, ao modificar as regras para o cuidado com recém-nascidos e adotados, lança luz sobre um dos pilares da desigualdade de gênero no mercado de trabalho: a persistente atribuição do cuidado familiar como responsabilidade primordial da mulher e como essa percepção molda decisões empresariais, afetando diretamente a trajetória profissional feminina.

Essa nova lei implementa um aumento gradual do período de afastamento. O benefício, que antes era de apenas cinco dias, saltará para dez dias em 2027, atingirá quinze dias em 2028 e consolidará vinte dias em 2029. O direito se estende a casos de nascimento, adoção e guarda legal. Um avanço significativo é a inclusão de trabalhadores informais, como autônomos e microempreendedores individuais (MEIs), no acesso a este benefício.

O Custo Percebido da Parentalidade e o Mercado de Trabalho

Apesar dos avanços, o modelo brasileiro ainda reflete uma divisão desigual das responsabilidades de cuidado. A maternidade, na visão de muitas empresas, continua sendo vista como um evento previsível e um custo inerente. Essa antecipação de afastamentos pode influenciar, de forma negativa, decisões de contratação e promoção, antes mesmo que a parentalidade se concretize. Dhafyni Mendes, cofundadora do Todas Group, programa focado na aceleração de carreiras femininas, explica que a ampliação da licença-paternidade é um passo crucial para abordar um dos principais fatores de viés no mercado: a distribuição desigual do cuidado.

Quando a licença parental é predominantemente usufruída pela mulher, o mercado tende a concentrar nela o custo percebido da parentalidade. Esse custo vai além do financeiro, abrangendo expectativas sobre desempenho profissional, disponibilidade e a própria percepção de comprometimento com a carreira. A sobrecarga de tarefas domésticas e de cuidado recai desproporcionalmente sobre as mulheres, que dedicam, em média, 21,3 horas semanais a essas atividades, comparado às 11,7 horas dos homens.

Essa disparidade tem consequências diretas. Mulheres que se tornam mães frequentemente enfrentam barreiras no avanço de suas carreiras, mesmo quando possuem alta escolaridade. Apenas 26,5% ocupam cargos de alta liderança. A desigualdade salarial também é gritante: em 2026, a remuneração média feminina representa 78,6% da masculina. Para muitas mulheres fora do mercado de trabalho, a responsabilidade com o cuidado familiar é o principal motivo para não buscar emprego, um fator que afeta apenas 3,1% dos homens.

Impacto no Retorno ao Trabalho e na Continuidade da Carreira

A forma como o mercado enxerga a maternidade se intensifica no momento do retorno ao trabalho. Dados do Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (RASEAM), divulgado pelo Ministério das Mulheres, indicam que a probabilidade de emprego para mulheres cai drasticamente após o fim da licença-maternidade. Em até 24 meses, quase metade das mães deixa o mercado formal, muitas vezes por iniciativa do empregador. Relatórios do eSocial corroboram essa tendência, mostrando que, entre 2020 e 2025, mais de 383 mil mulheres foram demitidas sem justa causa até dois anos após o retorno da licença, e outras 265 mil pediram demissão no mesmo período.

“Muitas mulheres deixam de ser alocadas em projetos estratégicos. Isso impacta diretamente a visibilidade, a influência e as oportunidades de crescimento dentro das empresas”, lamenta Dhafyni Mendes. A saída do mercado formal ou a estagnação na carreira não se limitam a demissões diretas; incluem a exclusão de oportunidades de desenvolvimento e ascensão.

A Nova Legislação e o Potencial de Mudança

A nova legislação brasileira representa um sinal de mudança, reconhecendo, ainda que parcialmente, a necessidade de um compartilhamento mais equitativo das responsabilidades de cuidado. A ampliação da licença-paternidade é um passo fundamental para reequilibrar a balança e mitigar os impactos negativos na carreira das mulheres. É crucial que as empresas compreendam que investir em políticas de apoio à parentalidade equitativa não é apenas uma questão de justiça social, mas uma estratégia inteligente para reter talentos qualificados.

A decisão de implementar políticas que permitam a continuidade das carreiras, mesmo após a parentalidade, é estratégica. Estamos falando de profissionais altamente qualificadas, prontas para assumir novos desafios e para o próximo estágio de suas carreiras, mas que ainda enfrentam barreiras que não estão relacionadas ao seu desempenho profissional. O objetivo deve ser criar um ambiente de trabalho onde o cuidado com os filhos não seja um obstáculo intransponível para o progresso.

Para aprofundar sobre como se destacar no mercado de trabalho, confira nosso guia prático para criar um currículo sem experiência e o guia atualizado sobre como fazer currículo para primeiro emprego.

O Que Muda na Prática com a Nova Lei?

A atualização das regras da licença-paternidade no Brasil traz consigo diversas novidades:

  • Nome e Custeio: O benefício passa a ser denominado salário-paternidade e será custeado pela Previdência Social, com reembolso às empresas administrado pelo INSS.
  • Ampliação do Acesso: Além dos trabalhadores com carteira assinada, o direito se estende a autônomos, empregados domésticos, MEIs e outros segurados do INSS.
  • Cuidado Integral: Em situações específicas onde o pai assume integralmente o cuidado (como falecimento da mãe, adoção, guarda unilateral, ausência do nome materno, parto antecipado ou internação da mãe/recém-nascido), a licença-paternidade pode equiparar-se à licença-maternidade, chegando a 120 ou 180 dias.
  • Estabilidade no Emprego: A nova regra garante estabilidade no emprego durante o período da licença e por até 30 dias após o retorno.
  • Sanções: O benefício pode ser suspenso ou negado em casos de violência doméstica, abandono material ou quando o pai não se afasta de suas atividades profissionais.

É fundamental que tanto empregadores quanto empregados estejam cientes dessas mudanças e de seus desdobramentos. A adoção de práticas mais inclusivas e a compreensão dos impactos da licença-paternidade na carreira feminina são passos essenciais para a construção de um mercado de trabalho mais justo e equitativo. Para se manter atualizado sobre as melhores estratégias de busca de emprego, confira também o Plano de Ação 2026 para Vagas de Emprego em São Paulo e aprenda a identificar quais sites de emprego são confiáveis.

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