Agressões Que Ultrapassam os Muros Domésticos: Um Alarme Corporativo
A preocupação com a segurança e o bem-estar das trabalhadoras ganha contornos alarmantes. Novos dados revelam um crescimento expressivo nos afastamentos do trabalho motivados por episódios de agressão contra mulheres. Entre 2024 e 2026, observou-se um salto de 152% na incidência desses afastamentos, evidenciando que a violência de gênero não se restringe ao espaço privado, mas reverbera de forma contundente no ambiente profissional.
A análise, baseada em informações de atestados médicos registrados pela VR, empresa especializada em soluções para o universo corporativo, aponta para um cenário preocupante. Cerca de 4 milhões de profissionais integram a base de clientes da companhia, e nesse período, foram documentados 122 casos de afastamentos decorrentes de agressão. Desses, impressionantes 47% envolveram mulheres, demonstrando um impacto desproporcional.
O ano de 2026 registrou o pico, com 58 ocorrências. Este número é superior aos 41 casos registrados em 2026 e aos 23 de 2026, consolidando a maior marca já vista em toda a série histórica de acompanhamento da VR.
Tipos de Violência e Padrões Comportamentais
A pesquisa aprofundou-se nas Classificações Internacionais de Doenças (CIDs) associadas a esses afastamentos. Os resultados indicam que a agressão física é a principal causa, respondendo por 85% dos casos. Em seguida, aparecem os maus-tratos, com 10%, negligência e abandono, somando 3,2%, e agressão sexual com uso de força física, representando 0,82% das ocorrências.
Um padrão temporal também foi identificado: o segundo semestre do ano concentra a maior parte dos incidentes, com um pico notório entre os meses de setembro e dezembro, atingindo seu ápice em novembro. Essa concentração pode estar ligada a fatores sazonais ou a um aumento da vulnerabilidade em determinados períodos.
Geografia da Violência Corporativa
No que tange à distribuição geográfica, o estado de São Paulo lidera o ranking de registros, com 45% dos casos. O Paraná aparece em segundo lugar, com 11% das ocorrências. Goiás, com 7%, e Pernambuco, com 6%, completam o grupo dos estados com maior incidência de afastamentos por agressão contra mulheres no ambiente de trabalho.
Impacto Além das Estatísticas: Uma Questão de Saúde Ocupacional
Os dados da VR não surgem isoladamente, mas dialogam com o contexto nacional de aumento das notificações de violência contra a mulher. A pesquisa reforça que os efeitos dessa violência transcendem as estatísticas criminais, atingindo diretamente os indicadores de saúde e produtividade dentro das organizações.
“Esses números evidenciam que a violência contra a mulher é, inegavelmente, uma questão de saúde do trabalho”, afirma Willian Gil, diretor-executivo de Pessoas, Jurídico e Governança Corporativa da VR. Ele ressalta que o afastamento laboral é apenas a ponta de um iceberg, representando um profundo impacto emocional, físico e financeiro que se estende ao ambiente corporativo.
“As empresas precisam estar preparadas não apenas para registrar esses afastamentos, mas, fundamentalmente, para acolher e oferecer suporte efetivo a essas trabalhadoras”, complementa Gil, enfatizando a necessidade de uma abordagem proativa por parte das corporações.
A Responsabilidade Corporativa na Prevenção e Suporte
Diante desse cenário desafiador, a implementação de políticas internas robustas de apoio a colaboradoras em situação de vulnerabilidade torna-se um imperativo para as empresas. Programas estruturados de suporte não são mais um diferencial, mas sim um pilar essencial para organizações que almejam promover um ambiente de trabalho seguro, saudável e socialmente responsável.
A própria VR, ciente dessa demanda, tem investido em soluções como o Programa de Apoio ao Empregado (PAE). Este programa oferece atendimento contínuo, 24 horas por dia, 7 dias por semana, com uma equipe multidisciplinar composta por assistentes sociais, psicólogos, advogados, orientadores financeiros e consultores previdenciários.
O objetivo do PAE é auxiliar tanto as trabalhadoras quanto seus familiares a lidarem com situações de crise, proporcionando acolhimento psicológico, orientação jurídica especializada e suporte financeiro. Adicionalmente, a empresa destaca o papel das soluções digitais no acompanhamento estruturado das jornadas e dos afastamentos, contribuindo para a gestão e a prevenção.
A crescente incidência de afastamentos por agressão contra mulheres no ambiente de trabalho é um chamado urgente para que as empresas reavaliem suas práticas e reforcem seus compromissos com a igualdade de gênero e a proteção de seus colaboradores. A construção de um futuro corporativo mais seguro e inclusivo depende da ação conjunta e da responsabilidade de todos os envolvidos.
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