Em 2026, o avanço da diversidade no mercado de trabalho, embora celebrado no discurso e nas políticas de contratação, esbarra em uma barreira invisível, mas poderosa: o medo. Uma pesquisa recente revela que, apesar de grupos diversos estarem cada vez mais presentes nas organizações, seu impacto real nas decisões estratégicas é limitado, gerando um fenômeno preocupante conhecido como “silêncio organizacional”. Profissionais, receosos de represálias, optam por reprimir suas ideias e opiniões, um comportamento que, em última instância, prejudica a capacidade de inovação e o crescimento das empresas.
A Sombra do Medo na Tomada de Decisão
A pesquisa nacional “Diversidade sem Poder: quem entra, mas não decide”, conduzida pela Heach Recursos Humanos, joga luz sobre essa realidade. O estudo, que entrevistou 1.250 profissionais em janeiro de 2026, abrangeu empresas com 100 ou mais colaboradores. A conclusão é clara: a falta de segurança psicológica dentro do ambiente corporativo leva muitos talentos a optarem pelo silêncio diante das lideranças. Essa escolha, motivada pelo receio de retaliações, impede que as empresas colham os frutos de uma força de trabalho verdadeiramente engajada e diversificada.
O levantamento aponta que a mera presença em reuniões estratégicas não se traduz em influência real. Um percentual significativo de profissionais de grupos diversos sente que suas contribuições são frequentemente ignoradas ou insuficientes para alterar rumos já definidos. Essa percepção de impotência é um terreno fértil para o silêncio.
Números que Revelam a Falta de Poder
Os dados da pesquisa são contundentes e pintam um quadro preocupante:
- 68% dos profissionais de grupos diversos participam de reuniões estratégicas, mas não possuem poder de decisão.
- 61% relatam que suas contribuições raramente alteram decisões que já foram tomadas.
- 57% sentem que são consultados apenas para validar definições prévias, sem espaço para divergências.
O medo de consequências negativas em suas carreiras é um fator determinante para essa reticência. Cerca de 54% dos respondentes admitem evitar discordar de seus líderes por receio de impactos em suas trajetórias profissionais. Complementarmente, 49% acreditam que expor problemas organizacionais pode gerar retaliações veladas, e 46% afirmam que medir as palavras em reuniões estratégicas é uma prática constante para evitar conflitos.
O Índice de Diversidade com Poder (IDP) em 2026
Para quantificar o acesso efetivo ao poder por parte de profissionais diversos, a Heach desenvolveu o Índice de Diversidade com Poder (IDP). Este índice, que varia de 0 a 100, apresentou uma média nacional de 52 pontos em 2026. Este resultado sugere que a inclusão nas empresas brasileiras, em 2026, ainda é parcial, com o poder decisório real permanecendo concentrado.
Os indicadores que mais se destacaram negativamente foram o de “poder decisório real”, com 47 pontos, e “segurança psicológica”, com 49 pontos. Esta última dimensão está intrinsecamente ligada ao silêncio organizacional e ao receio de retaliação, evidenciando a necessidade urgente de criar ambientes mais seguros para a expressão de ideias.
Riscos para a Sucessão e Retenção de Talentos
A pesquisa alerta para um paradoxo preocupante: a perda de influência e o silenciamento ocorrem justamente em um momento crucial para o desenvolvimento de lideranças. A chamada “liderança intermediária” — coordenadores e gerentes — que deveriam estar em ascensão e contribuindo com novas perspectivas, mostra índices de IDP significativamente menores do que a alta liderança.
Enquanto a alta liderança ostenta um IDP médio de 67 pontos, o índice cai drasticamente para 48 entre os coordenadores e 50 entre os gerentes. Essa discrepância enfraquece o pipeline de sucessão das empresas, comprometendo a formação de futuros líderes capazes de impulsionar a inovação e a adaptação em um mercado cada vez mais dinâmico.
O Preço da Inércia para os Negócios
Elcio Paulo Teixeira, CEO da Heach Recursos Humanos, enfatiza as consequências severas da manutenção desse cenário para a continuidade dos negócios em 2026. “Quando profissionais participam, mas não decidem, o engajamento se desgasta”, afirma. “A consequência disso é a frustração, mas, principalmente, o aumento do risco de perda de talentos e um vácuo na formação de lideranças futuras.”
Teixeira conclui que “a diversidade entrou nas empresas, mas o poder continuou concentrado. Sem rever estruturas decisórias, a inclusão se torna frágil e superficial, incapaz de gerar o impacto transformador que as organizações tanto necessitam em 2026.” A busca por inovação e competitividade exige, portanto, um olhar atento para a criação de ambientes onde todas as vozes sejam ouvidas e valorizadas, livres do peso do medo e da retaliação.
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