O fortalecimento do trabalhador diante do mercado aquecido
O mercado de trabalho aquecido no Brasil está promovendo mudanças significativas na relação entre empregadores e trabalhadores. Conforme destaca o economista Rodolpho Tobler, mestre em economia e finanças pela FGV IBRE, nesse cenário, quem ganha poder de negociação é o próprio trabalhador, pois ele passa a ser visto como uma mão de obra escassa e, consequentemente, mais valorizada.
Em entrevista ao podcast O Assunto, Tobler explica que essa nova configuração permite ao trabalhador negociar não apenas salários mais altos, mas também ampliar benefícios, tendo maior liberdade para escolher onde deseja atuar profissionalmente. Essa transformação ajuda a reduzir o tradicional desequilíbrio entre empregado e empregador, tornando a relação mais equilibrada e justa.
Mais espaço para negociações de salários e benefícios
Com o crescimento das oportunidades de emprego, surgir uma vaga em uma empresa gera efeito direto na concorrência com outras organizações. O trabalhador, diante de ofertas semelhantes, pode aumentar o poder de barganha. Isso significa que demandas por melhores salários, benefícios complementares e condições de trabalho mais flexíveis passam a ser mais frequentes e possíveis de serem atendidas.
Além dos benefícios tradicionais, o economista mencionou que as mudanças costumam incluir ajustes em carga horária e remuneração. Isso oferece mais qualidade de vida ao empregado, reforçando o crescimento do interesse das empresas em oferecer condições mais atrativas para manter seus colaboradores.
Setores que destacam a valorização da mão de obra
Entre os setores que mais sentiram esse movimento em 2025, Tobler pontua o segmento de supermercados. Foi uma das áreas que registrou os maiores aumentos nos salários de admissão, refletindo a competição acirrada para atrair profissionais qualificados e a escassez de trabalhadores disponíveis. Esse cenário cria uma pressão positiva para que toda a cadeia empregadora repense suas estratégias de remuneração e benefícios.
Essa dinâmica mostra como o mercado de trabalho aquecido contribui para avançar na melhoria das condições de trabalho e fortalecimento do trabalhador na economia brasileira.
O papel das empresas e o futuro das negociações
Para se manterem competitivas diante deste movimento de valorização do trabalhador, as empresas estão buscando ir além do básico, ampliando o leque de benefícios e promovendo mais flexibilidade no ambiente de trabalho. Essa evolução serve não só para atrair novos talentos, mas também para reter profissionais essenciais ao negócio.
Segundo Rodolpho Tobler, o poder de escolha maior do trabalhador, evidenciado pelo cenário atual, reforça um ciclo no qual empregadores precisam estar mais atentos e dispostos a negociar, alinhando suas propostas ao que o mercado exige.
Portanto, o mercado de trabalho aquecido não apenas melhora a posição do trabalhador nas negociações, como também promove um ambiente mais justo e equilibrado, beneficiando toda a economia brasileira.
Fonte: entrevista com Rodolpho Tobler, economista do FGV IBRE, no podcast O Assunto, 5 de junho de 2025.
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