Impactos das demissões da Amazon no Brasil e no mundo
A Amazon anunciou na quarta-feira (28) a demissão de 16 mil colaboradores, numa segunda rodada de cortes desde outubro de 2025. Embora o número exato de desligados no Brasil não tenha sido divulgado, funcionários brasileiros foram afetados. Um ex-funcionário brasileiro, que preferiu não se identificar, descreveu o momento como “assustador” e ressaltou conhecer outras pessoas que também perderam seus cargos.
Os cortes representam cerca de 10% da força de trabalho corporativa da empresa, que conta com cerca de 1,5 milhão de funcionários globalmente, incluindo áreas como centros de distribuição, segundo informações da Reuters.
Comunicação e justificativas da empresa
A decisão da Amazon de reduzir equipes foi comunicada após rumores que se intensificaram a partir do dia 23 de janeiro. Na véspera dos desligamentos, a empresa enviou por engano um comunicado mencionando o chamado “Project Dawn”, confusão que antecipou a notícia oficial para alguns países, incluindo Estados Unidos, Canadá e Costa Rica.
O ex-funcionário relatou que recebeu a notícia em uma reunião por vídeo com o setor de Recursos Humanos, onde foi informado de maneira respeitosa e direta que seu desempenho não influenciou a demissão. A explicação dada foi que seu cargo simplesmente não era mais necessário, e ele teve 40 minutos para retirar arquivos pessoais de equipamentos corporativos.
“A justificativa que nos foi passada é que se trata de uma tentativa de eliminar níveis, eliminar burocracia, deixar a organização mais enxuta”, disse o profissional.
Contexto estratégico e uso de inteligência artificial
Beth Galetti, vice-presidente de experiência de pessoas e tecnologia da Amazon, afirmou em comunicado oficial que a empresa vem trabalhando para “fortalecer nossa organização reduzindo camadas, aumentando a propriedade e eliminando a burocracia”.
Em junho de 2025, o CEO Andy Jassy projetou que o avanço da inteligência artificial (IA) faria com que a empresa precisasse de menos pessoas para tarefas atuais, mas mais para outras funções. Ele afirmou: “Nos próximos anos, esperamos que isso reduza o número total de funcionários da empresa, à medida que obtivermos ganhos de eficiência com o uso extensivo de IA em toda a organização”.
Porém, o ex-funcionário destacou que, embora a empresa estimule o uso de IA, não acredita que esta seja a causa principal das demissões. Segundo ele, trata-se mais de um movimento para “enxugar custos e entregar valor ao acionista”.
Consequências para o mercado e próximos passos da Amazon
Este cenário de cortes em massa em empresas de tecnologia é considerado pelo ex-funcionário como uma prática normalizada no setor, que pode representar desafios para o mercado de trabalho no Brasil.
A Amazon também anunciou na mesma semana cortes nas divisões Fresh e Go, além do fechamento e transformação de lojas físicas em unidades da Whole Foods, que foca em alimentos saudáveis.
A empresa divulgará seu balanço do quarto trimestre de 2025 na próxima quinta-feira (5). No terceiro trimestre, seu faturamento cresceu 13%, mas o lucro se manteve estável.
Estas mudanças indicam um momento de reestruturação estratégica da Amazon, que busca ajustes para manter competitividade num mercado cada vez mais pressionado por avanços tecnológicos e exigências econômicas.
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