Após um burnout, larguei carreira de 20 anos em TI para viajar o Brasil e dançar forró
Quando falamos sobre 'Após um burnout, larguei carreira de 20 anos em TI para viajar o Brasil e dançar forró', é essencial entender os principais aspectos que envolvem este tema. A decisão de Priscila Albuquerque, 42 anos, paulistana, de trocar a estabilidade de duas décadas no setor de tecnologia da informação (TI) por uma vida nômade de descobertas pelo Brasil e imersão na cultura do forró, ecoa um desejo latente de muitos profissionais: a busca por ressignificação. Essa reviravolta dramática em sua trajetória profissional não foi um impulso, mas sim uma resposta necessária a um esgotamento físico e mental severo, o chamado burnout, que a impeliu a reavaliar prioridades e a abraçar um sonho antigo.
Por 20 anos, Priscila dedicou-se ao universo da tecnologia bancária, construindo uma carreira sólida e respeitada. No entanto, uma mudança significativa na gestão de sua empresa desencadeou um período de estresse crônico, culminando em um quadro de burnout. “Eu já tinha esse plano de conhecer o Brasil, conhecer o mundo, viajar, mas o trabalho sempre deixa a gente um pouco preso. Tive um burnout no trabalho depois de uma mudança de gestão, algumas coisas aconteceram, e foi quando resolvi vender meu apartamento e ir atrás desse sonho”, relata Priscila sobre o momento decisivo.
O Burnout e a Virada de Chave
O burnout, um problema de saúde mental cada vez mais presente na sociedade brasileira, afetou Priscila de forma profunda. Dados recentes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) revelam um aumento expressivo nos benefícios concedidos a trabalhadores com a síndrome, quase triplicando em um ano. Diante desse cenário, Priscila buscou apoio profissional, consultando psicólogo e psiquiatra, e optou por se afastar temporariamente de suas funções, utilizando os recursos de licença que a empresa oferecia.
Esse período de afastamento se tornou o catalisador para a materialização de seus desejos mais profundos. “Eu já tinha esse plano de conhecer o Brasil, conhecer o mundo, viajar, mas o trabalho sempre deixa a gente um pouco preso”, confessa. A venda de seu apartamento foi um passo concreto para financiar essa nova fase, liberando-a de amarras e permitindo que se dedicasse integralmente à sua paixão por viagens, trilhas na natureza e, especialmente, à dança do forró.
A Redescoberta Através do Forró e das Viagens
A conexão de Priscila com o forró é antiga e intrínseca à sua história familiar. Sua mãe, pernambucana, transmitiu-lhe o amor pelo ritmo desde a infância. “Minha mãe é pernambucana e sempre foi apaixonada por forró, então, desde pequenininha, ela me pegava para dançar — desde que eu lembro, eu danço forró”, compartilha.
Em um momento de vulnerabilidade, o forró se apresentou como um refúgio, um espaço de conforto e acolhimento. “Eu gosto muito de outros ritmos musicais também, frequento o samba e outras batidas, mas o público que frequenta o forró é muito acolhedor”, afirma Priscila. Ela destaca a facilidade de socialização dentro desse universo: “Você pode ir sozinho para o forró, que você vai fazer amizade. Como mulher, às vezes é difícil sair para a noite sozinha, e para o forró você não precisa estar acompanhada, porque você vai estar dançando, interagindo com as pessoas.”
A jornada de Priscila pelo Brasil tem sido uma experiência de aprendizado contínuo. Inicialmente, optou por viajar de carro alugado, mas logo percebeu que essa modalidade encarecia significativamente seus planos. Após cerca de três meses, ajustou sua estratégia, optando por viagens de ônibus para otimizar o orçamento.
Viajar sozinha, como mulher, exige um planejamento e uma atenção redobrados. “A gente vai desenvolvendo mecanismos durante o caminho. Por exemplo, não vou chegar numa cidade nova de noite”, explica. A escolha do meio de transporte também é um fator crucial. “Como mulher, você se preocupa sempre com como vai viajar — se está pegando um ônibus, o BlaBlaCar [aplicativo de caronas para viagens], um Uber. São processos que a mulher sempre tem que estar um pouco mais preocupada”, ressalta.
A Rota dos Festivais de Forró Pelo Brasil
A paixão pelo forró impulsionou Priscila a traçar um roteiro peculiar, focado nos diversos festivais do gênero espalhados pelo país. “O forró no Brasil tem um calendário de festivais muito extenso, tanto no Sudeste quanto em outros Estados. Então fui me organizando em relação às datas e lugares, para poder pegar os festivais, sair de um e dar tempo de chegar no outro.”
Ela já participou de cerca de 12 a 13 festivais, visitando locais icônicos para os amantes do forró, como Itaúnas (ES), Caraíva e Cumuruxatiba (BA), Aldeia Velha (RJ) e Ilhabela (SP). Eventos como Nata Forrozeira, Buraco do Tatu, Malagueta e Beijo Me Liga também fazem parte de sua rica experiência.
A viagem, para Priscila, transcende o lazer. Ela a vê como um antídoto contra a correria do cotidiano. “A viagem para mim é como um antídoto para essa vida corrida que a gente leva. Como um momento de retorno a si mesmo para poder continuar dando conta”, reflete.
Essa pausa estratégica, mesmo que por curtos períodos, permite uma introspecção valiosa. “Eu acredito que essa parada — até quando você consegue dar uma quebradinha na rotina, seja por algumas horas, alguns dias, algumas semanas —, ela traz esse momento de quebra, onde você se observa, onde você se olha de outra maneira.”
Planejamento e Coragem para o Novo
Ao refletir sobre seu futuro profissional, Priscila ainda pondera se retornará à área de TI ou se buscará um caminho mais alinhado com sua nova perspectiva de vida. Para aqueles que sonham em dar um tempo no trabalho para perseguir seus objetivos, ela enfatiza a importância do planejamento.
“Começar uma coisa nova tem muito a ver com viver esse momento presente, com parar de viver na ansiedade do que eu estou conquistando, do que eu estou buscando. Parar de viver deprimido com o que eu tive e não tenho mais”, compartilha Priscila.
A coragem para tomar essa decisão radical foi amparada por uma organização financeira meticulosa. “Foi isso que me trouxe essa decisão, essa coragem para me organizar e não tomar uma atitude impulsiva — porque eu me organizei durante meses para ter dinheiro para não passar tanto perrengue. Então, eu diria: se planeje, mas viva o agora.”
A história de Priscila é um testemunho inspirador de que é possível reescrever a própria narrativa profissional, encontrando felicidade e propósito em caminhos inesperados. Para quem busca inspiração em transições de carreira, confira também nosso artigo sobre como descrever experiências no currículo, essencial para quem busca novas oportunidades. Entenda melhor o atual mercado de trabalho e saiba mais sobre como enviar currículo pelo WhatsApp. Para aprofundar, veja o guia sobre como se vestir para entrevistas de emprego e descubra qual o salário de recepcionista, um dos muitos cargos em diversas áreas.
Entre no VAGAS E CURSOS - PORTAL VAGAS no WhatsApp e receba tudo em primeira mão!

