Um Panorama Alarmante: Assédio se Revela um Problema Persistente no Ambiente Corporativo Brasileiro
Um estudo abrangente sobre a saúde mental no ambiente de trabalho em 2026 revela que uma parcela significativa de profissionais brasileiros já vivenciou ou testemunhou situações de assédio. A pesquisa, conduzida pela Vittude, plataforma especializada em programas de bem-estar corporativo, aponta que aproximadamente 17% dos participantes de um extenso Censo de Saúde Mental relataram ter se deparado com episódios de assédio no último ano. Este dado, embora preocupante, pode subestimar a real dimensão do problema, segundo especialistas.
A Cultura do Silêncio e a Invisibilidade do Assédio
A análise, que consultou mais de 174 mil trabalhadores, identificou que, dos que relataram experiências de assédio, a grande maioria – 72% – tratou-se de assédio moral. Os casos de assédio sexual somaram 28% do total. No entanto, a CEO e cofundadora da Vittude, Tatiana Pimenta, alerta que esses números podem ser apenas a ponta do iceberg.
“A prevalência real tende a ser ainda maior”, afirma Pimenta. Ela destaca que “a dimensão da cultura do silêncio que permeia esses casos” é um fator crucial. A pesquisa aponta que entre 78% e 84% das pessoas que presenciaram ou sofreram assédio optaram por não formalizar denúncias. “Esse número, por si só, revela um risco psicossocial profundo”, complementa.
Fatores que Alimentam a Subnotificação
Diversos elementos contribuem para que o assédio permaneça velado. O medo de represálias é um dos principais motivos. Além disso, a falta de segurança psicológica no ambiente de trabalho, onde os colaboradores não se sentem à vontade para expressar suas opiniões ou preocupações sem receio de julgamento ou punição, é um terreno fértil para a perpetuação do assédio.
A baixa credibilidade dos canais de denúncia existentes nas empresas também desencoraja os relatos. Quando os funcionários percebem que os procedimentos de investigação são ineficazes ou que as denúncias não são tratadas com a seriedade necessária, a tendência é o silêncio. A percepção de fragilidade institucional, onde a empresa demonstra pouca capacidade ou vontade de intervir e resolver conflitos, agrava o cenário.
A normalização de comportamentos abusivos, onde atitudes inadequadas passam a ser vistas como “normais” ou “parte da cultura da empresa”, é outro fator perigoso. Essa normalização cria um ambiente onde o assédio pode florescer sem que haja uma percepção clara de que algo errado está acontecendo, desincentivando as vítimas e testemunhas a se manifestarem.
Outros Indicadores de Risco Psicossocial em 2026
O Censo de Saúde Mental 2026 não se limitou a mapear o assédio. O estudo também investigou outros fatores de risco psicossocial que afetam o bem-estar e a produtividade dos trabalhadores, como segurança psicológica, suporte gerencial, equidade e sentimento de pertencimento. Estes elementos são fundamentais para a construção de um ambiente corporativo saudável e produtivo.
O Fantasma do Burnout e o Presenteísmo Preocupante
Em relação ao burnout, o esgotamento profissional, o estudo revelou que 5,94% dos colaboradores apresentaram alta propensão a desenvolverem o quadro. Embora a porcentagem possa parecer pequena à primeira vista, em termos epidemiológicos, índices acima de 3% em grandes populações já são considerados de alto risco, indicando uma preocupação generalizada.
O presenteísmo, fenômeno em que o profissional está fisicamente no trabalho, mas sua capacidade produtiva é significativamente reduzida por questões físicas, emocionais ou cognitivas, também apresentou índices alarmantes. Cerca de 32% dos trabalhadores relataram estar nessa condição. Isso significa que, em média, cada colaborador perdeu aproximadamente um terço de sua produtividade potencial. Financeiramente, para cada R$ 100 investidos em salários, R$ 32 não retornaram em forma de trabalho efetivo, gerando um impacto econômico considerável para as empresas.
A segurança psicológica, que se refere à liberdade percebida pelos colaboradores para se expressarem, darem ideias e reconhecerem erros sem medo de punições, foi outro ponto avaliado. Embora os dados detalhados sobre segurança psicológica não tenham sido integralmente apresentados neste trecho, a sua inclusão na pesquisa demonstra a importância que a Vittude atribui a este fator como um pilar para a saúde mental e o bom desempenho no ambiente corporativo.
A pesquisa reforça a necessidade de as empresas investirem em políticas e práticas que promovam um ambiente de trabalho seguro, respeitoso e psicologicamente saudável, combatendo ativamente o assédio e mitigando outros riscos psicossociais.
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