A Ascensão dos Profissionais de Apoio: Mais que Cuidadores, Aliados no Cotidiano Brasileiro
O cenário social brasileiro está em constante transformação, e uma nova profissão emerge com força: o acompanhante de saúde ou cuidador multifuncional. Impulsionado pelo envelhecimento populacional e pela diminuição do número de filhos por família, esse serviço, antes restrito ao cuidado de idosos, expande seus horizontes, atendendo a diversas necessidades em um país que busca novas formas de suporte.
Edineusa Matos, enfermeira de profissão, exemplifica essa tendência. Em seu dia a dia, ela concilia seu trabalho formal com atuações pontuais como acompanhante de saúde, buscando uma renda complementar e, ao mesmo tempo, suprindo uma demanda crescente e ainda pouco explorada.
Famílias Menores, Necessidades Maiores
O Brasil caminha a passos largos para se tornar uma nação de idosos. Dados demográficos apontam para um aumento expressivo na expectativa de vida, ao mesmo tempo em que as famílias brasileiras se tornam cada vez menores. Essa combinação resulta em um número crescente de pessoas com idade avançada, muitas vezes com filhos que moram longe ou que possuem carreiras exigentes, dificultando o acompanhamento presencial e constante.
Essa realidade cria um vácuo que os acompanhantes de saúde vêm preenchendo. Inicialmente associados ao cuidado de idosos, esses profissionais agora desempenham um papel muito mais amplo, oferecendo suporte em uma gama variada de situações.
Além do Cuidado Tradicional: Um Leque de Serviços
A atuação desses profissionais transcende o simples acompanhamento de idosos. Jovens e adultos em diferentes fases da vida também buscam esse tipo de auxílio. Seja para comparecer a consultas médicas, auxiliar em procedimentos hospitalares, gerenciar agendamentos ou até mesmo oferecer suporte em tarefas cotidianas, a figura do acompanhante se torna cada vez mais valiosa.
Plataformas digitais como Cronoshare e GetNinja se tornaram pontes essenciais nesse novo mercado. Nelas, clientes detalham suas necessidades específicas, e profissionais interessados entram em contato, criando uma conexão direta e ágil entre oferta e demanda.
A Informalidade como Regra: Desafios e Oportunidades
A modalidade de contratação predominante é a informal. Contratos de trabalho formais são raros, e os pagamentos, em sua maioria, são realizados por meios digitais instantâneos, como o Pix. Essa característica, embora traga flexibilidade, levanta questões sobre segurança e regulamentação profissional.
Girlaine Ferreira, 56 anos, experiente cuidadora e acompanhante, compartilha sua vivência. Há seis anos atuando na área, ela vê essa profissão como uma oportunidade de renda extra e de ajudar pessoas em diversas situações.
“É uma função que ainda é pouco conhecida”, afirma Girlaine. Ela estima que, com esse trabalho complementar, consegue aumentar sua renda em cerca de 35% ao mês. Seus valores de serviço variam, partindo de R$ 220 para acompanhamentos que incluem deslocamento, podendo chegar a R$ 300 em jornadas mais longas, especialmente em finais de semana e feriados.
Barreiras e Percepções: A Desinformação como Obstáculo
Segundo Girlaine, que atende na região metropolitana de São Paulo, a maioria de seus clientes pertence às classes média e alta. Ela aponta dois motivos principais para essa concentração:
- Fator Financeiro: O custo do serviço, embora acessível para alguns, ainda é um impeditivo para famílias com rendas mais baixas.
- Falta de Conhecimento: A desinformação sobre a existência e a abrangência desse tipo de serviço é um obstáculo significativo. Quanto menor o nível de instrução, menor a familiaridade com essas novas modalidades de apoio.
A experiência de Girlaine com clientes demonstra a versatilidade da profissão. Ela já acompanhou uma brasileira que reside na França em uma consulta médica. A cliente, com a mãe idosa impossibilitada de acompanhá-la e o marido fora do país, buscou o suporte de Girlaine para ter alguém ao seu lado durante o exame, a espera e a compra de medicamentos.
Qualificação e Autonomia Profissional
Embora não exista uma formação específica e obrigatória para ser um acompanhante de saúde, como em áreas da enfermagem, a experiência e a capacitação em cuidado, especialmente para idosos, são diferenciais importantes. A segurança e a clareza sobre os limites do serviço são estabelecidas entre profissional e cliente.
“Eu deixo claro o que posso e o que não posso fazer”, explica Girlaine. Essa transparência é fundamental para o bom andamento do trabalho. Ela relata ter acompanhado pacientes internados por longos períodos, incluindo situações delicadas em Unidades de Terapia Intensiva (UTI).
A necessidade de um suporte humano e profissionalizado em momentos de vulnerabilidade ou para otimizar o dia a dia é cada vez mais percebida. O acompanhante de saúde, em sua nova roupagem multifuncional, surge como um aliado essencial nesse Brasil contemporâneo, moldando-se às novas dinâmicas familiares e sociais.
O Futuro Regulatório
Diante da crescente demanda e da expansão do escopo de atuação desses profissionais, o Congresso Nacional já debate a regulamentação dessa atividade. A expectativa é que, em breve, a profissão ganhe contornos mais definidos, oferecendo maior segurança e reconhecimento tanto para quem presta o serviço quanto para quem o busca.
A ascensão dos acompanhantes de saúde é um reflexo direto das mudanças sociais e demográficas do Brasil. Uma profissão que, com sua flexibilidade e adaptabilidade, promete se consolidar como um pilar de apoio em diversas esferas da vida cotidiana.
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