Profissionais de atacado e varejo têm maiores riscos de burnout, aponta estudo
Um panorama preocupante sobre a saúde mental no mercado de trabalho brasileiro revela que profissionais de atacado e varejo têm maiores riscos de burnout, aponta estudo recente. Em 2026, o país registrou um alarmante número de mais de meio milhão de afastamentos laborais devido a transtornos de saúde mental, consolidando um cenário de adoecimento em larga escala nas empresas. Os dados, compilados pela consultoria Gupy com base em informações da Previdência Social, indicam que foram mais de 546 mil licenças médicas concedidas no período, sinalizando uma crise que vai além de casos isolados.
Essa escalada de problemas de saúde mental no ambiente corporativo não é mais uma questão individual, mas sim um fenômeno coletivo. As condições de trabalho, a organização das tarefas e as pressões diárias têm um impacto direto e significativo no bem-estar dos colaboradores. O cenário atual reforça a necessidade de uma abordagem mais profunda e estrutural para lidar com o esgotamento mental.
O Alcance do Risco de Adoecimento Mental
O estudo da Gupy vai além dos afastamentos formais e aponta para um risco ainda maior de adoecimento mental dentro das organizações. Pesquisas de engajamento com trabalhadores ativos revelam que aproximadamente quatro em cada dez profissionais já demonstram algum sinal de vulnerabilidade mental. Este indicador é um alerta para a gestão de pessoas e para a cultura organizacional.
A situação se agrava em setores específicos. Áreas como tecnologia e educação, por exemplo, apresentam índices alarmantes, onde cerca de seis a sete em cada dez profissionais relatam estar em risco. Isso desmistifica a ideia de que o esgotamento mental se restringe a funções operacionais ou ambientes de alta pressão, mostrando que o problema é transversal e afeta diversas esferas do mercado.
Essa realidade demonstra que o adoecimento mental deixou de ser um evento pontual para se integrar à dinâmica cotidiana do trabalho, exigindo atenção contínua.
Burnout: Um Fenômeno Ocupacional Crescente
A análise aprofundada dos dados revela que o setor de atacado e varejo lidera o ranking de risco de burnout, com 10,79% dos profissionais nessa faixa. Em seguida, aparecem as áreas de educação (9,87%) e marketing, publicidade e comunicação (9,67%). Essa distribuição, embora com variações, aponta para uma convergência preocupante: o esgotamento mental não é exclusivo de um tipo de trabalho, mas sim o resultado de pressões que permeiam diferentes setores da economia.
Gil Cordeiro, especialista em pesquisas e tendências da Gupy, destaca a importância dessa nova leitura sobre o problema. “O burnout deixou de ser uma ‘fragilidade individual’ para ser reconhecido como um fenômeno ocupacional”, explica. Os fatores que impulsionam esse avanço estão intrinsecamente ligados à estrutura do trabalho moderno. Carga horária excessiva, metas e prazos com pressão constante, jornadas longas ou imprevisíveis, pouca autonomia e suporte insuficiente das lideranças são alguns dos elementos cruciais.
Para entender melhor como a pressão no ambiente de trabalho pode afetar os profissionais, confira também a discussão sobre escândalos de trabalho análogo à escravidão, que expõem as falhas em condições laborais.
A Cultura “Always On” e o Impacto da Digitalização
A digitalização acelerada e a conectividade permanente trouxeram consigo a cultura “always on”, onde a disponibilidade constante se tornou uma expectativa implícita. Essa fusão entre vida profissional e pessoal, impulsionada pela tecnologia, tem ampliado as fronteiras e contribuído para o aumento da pressão sobre os trabalhadores.
A necessidade de estar sempre conectado e responsivo pode gerar um ciclo vicioso de estresse e ansiedade. A dificuldade em desconectar-se do trabalho dificulta o estabelecimento de um equilíbrio saudável entre vida pessoal e profissional, elevando o risco de esgotamento.
A busca por um equilíbrio entre carreira e vida pessoal é um desafio constante. Entenda melhor qual tipo de objetivo profissional pode te ajudar a conquistar mais vagas, focando em clareza e realismo.
Regulamentação e a Necessidade de Mudanças Estruturais
Diante desse cenário alarmante, medidas regulatórias começam a surgir. A atualização da Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que agora exige a inclusão de riscos psicossociais na governança corporativa, é vista como um avanço significativo. No entanto, a percepção é que esta medida, por si só, não resolverá o problema estrutural.
Gil Cordeiro ressalta que a NR-1 representa um passo importante, mas inicial. “A NR-1 chega como um avanço fundamental ao exigir que o risco psicossocial entre formalmente na governança das empresas. No entanto, é importante lembrar que ela é apenas a ponta do iceberg”, avalia o especialista.
O diagnóstico é claro: o Brasil entrou em uma fase onde o adoecimento mental deixou de ser a exceção e se tornou parte do cotidiano das organizações. A questão transcende a esfera individual, configurando-se como um desafio estrutural que demanda revisão de práticas de gestão, modelos de trabalho e da própria cultura corporativa.
Sem transformações mais profundas, o cenário de adoecimento mental tende a persistir, com impactos diretos não apenas na saúde dos trabalhadores, mas também na produtividade, no engajamento e na sustentabilidade das empresas. Para se preparar para um mercado de trabalho em constante evolução, desenvolver um currículo irresistível é fundamental e pode ser o primeiro passo para conquistar novas oportunidades.
A busca por um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo passa também por entender as tendências do mercado. Saiba mais sobre o mercado de trabalho em Mato Grosso e suas perspectivas futuras.
É importante notar que a discussão sobre condições de trabalho precárias também se estende a outros setores. Entenda melhor as alegações contrastantes sobre trabalho escravo em casos notórios, que evidenciam a necessidade de fiscalização e de práticas éticas em todas as indústrias.
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