Argentina Paralisa: Greve Geral e Confrontos Marcam o Dia de Debates sobre Reforma Trabalhista
Buenos Aires – A Argentina amanheceu em estado de greve geral nesta quinta-feira (19), em um protesto massivo contra a controversa reforma trabalhista proposta pelo governo do presidente Javier Milei. A paralisação, convocada pela principal central sindical do país, a Confederação Geral do Trabalho (CGT), coincide com o início da discussão do polêmico projeto na Câmara dos Deputados, após sua aprovação no Senado na semana anterior.
O clima é de alta tensão na capital argentina, com manifestações esperadas em diversas frentes. A CGT lidera a mobilização, mas outras organizações sociais e grupos de trabalhadores também se juntaram ao chamado, visando pressionar os parlamentares a rejeitarem as mudanças propostas, que prometem alterar profundamente as leis trabalhistas vigentes há décadas.
Governo Milei Adota Postura Firme e Alerta Imprensa
Em meio à efervescência social, o governo de Javier Milei adotou uma postura de firmeza, prometendo reprimir quaisquer atos de violência. De forma incomum, o Ministério da Segurança emitiu um comunicado direcionado à imprensa, recomendando cautela e estabelecendo zonas de segurança para os jornalistas cobrirem os eventos.
O objetivo declarado é “reduzir situações de risco”, com a orientação para que os profissionais de mídia “evitem posicionar-se entre eventuais focos de violência e o efetivo das forças de segurança”. A nota também ressalta que “diante de atos de violência, nossas forças agirão”, sinalizando uma disposição para o confronto.
A imprensa terá uma “zona exclusiva” em ruas adjacentes à praça em frente ao Parlamento, limitando o acesso e a visibilidade dos acontecimentos em tempo real. Essa medida gerou preocupação entre os profissionais, que a consideram um obstáculo à cobertura livre e transparente dos protestos.
Reforma Trabalhista: Um Pacote de Mudanças Estruturais
A reforma trabalhista em debate é considerada por especialistas como uma das mais significativas transformações na legislação do trabalho argentina em décadas. As regras atuais, em grande parte, datam da década de 1970, e o governo Milei argumenta que a modernização é essencial para a estabilização macroeconômica, o estímulo ao emprego e a atração de investimentos.
O projeto, que reúne dezenas de artigos, faz parte de um pacote mais amplo de reformas estruturais. Para garantir o apoio político necessário e agilizar a tramitação, o governo negociou cerca de 30 alterações no texto original. Uma das mudanças de última hora foi a retirada do artigo que permitia o pagamento de salários em moeda estrangeira ou por meio de carteiras digitais, como as do Mercado Pago.
As principais alterações propostas incluem a flexibilização de contratos de trabalho, modificações nas regras de férias e jornada, facilitação de demissões e a imposição de limites em greves. O objetivo central é a redução dos custos trabalhistas e a promoção da formalização do emprego em um país onde aproximadamente 40% da força de trabalho atua na informalidade.
Histórico de Confrontos e Expectativas Futuras
A tensão não é novidade. Na quarta-feira passada, milhares de pessoas já haviam protestado nas imediações do Congresso durante o debate da reforma no Senado. Essas manifestações resultaram em confrontos com a polícia e cerca de trinta detidos, indicando o acirramento do clima político.
A expectativa do governo é que a proposta seja votada em plenário na Câmara até o final de fevereiro, com a aprovação prevista para antes de 1º de março, data em que Milei formalmente abrirá o período de sessões ordinárias do Legislativo. No entanto, a forte oposição sindical e social, somada à complexidade da negociação política, podem criar obstáculos significativos para a rápida aprovação.
Embora a greve geral tenha sido convocada oficialmente pela CGT, outras ondas de protestos não endossadas formalmente pela central sindical também são esperadas, aumentando a imprevisibilidade dos próximos dias na Argentina. A população acompanha atentamente os desdobramentos, ciente de que as decisões tomadas nesta semana podem moldar o futuro do trabalho e da economia do país por muitos anos.
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