Taxa média de desemprego no Brasil cai para 5,6% em 2025, menor índice desde 2012, segundo IBGE

Desemprego em baixa histórica e mercado de trabalho fortalecido em 2025

A taxa média anual de desemprego no Brasil atingiu 5,6% em 2025, o menor patamar desde o início da série histórica em 2012, de acordo com dados divulgados pelo IBGE. Esse resultado representa uma queda de 1 ponto percentual em relação a 2024, que terminou com índice de 6,6%. Em comparação com 2019, ano que antecedeu a pandemia de Covid-19, a redução foi ainda mais expressiva, de 6,2 pontos percentuais.

No trimestre encerrado em dezembro, o desemprego ficou em 5,1%, confirmando a tendência de recuperação constante. A população desocupada somou 6,2 milhões de pessoas em 2025, cerca de 1 milhão a menos que em 2024, o que equivale a uma queda de 14,5% em relação ao ano anterior.

Impacto dos juros elevados e os setores que sustentam o emprego

Apesar da taxa básica de juros (Selic) estar no maior nível em 20 anos, a 15% ao ano, o mercado de trabalho no Brasil se mostrou resistente. Adriana Beringuy, analista do IBGE responsável pela PNAD, explicou que essa redução do desemprego reflete o fortalecimento dos setores menos sensíveis à alta dos juros e ao custo do crédito.

Esses setores concentraram a maior parte dos avanços no emprego, especialmente as áreas intensivas em serviços, como informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias e administrativas. Segundo a analista, não houve uma forte expansão do consumo de bens duráveis, que são mais afetados pelo custo do crédito, mas o aumento da renda disponível se deu principalmente por meio do crescimento do emprego em atividades com maior escolaridade e remuneração, e pelo aumento do salário mínimo.

Melhora na qualidade da ocupação e maior formalização

Além do aumento do número de trabalhadores, houve uma elevação na qualidade dos vínculos empregatícios. Em 2025, o nível de ocupação chegou a 59,1%, o maior da série histórica. A população ocupada alcançou 103 milhões, 1,7% superior a 2024 e 15,4% maior que em 2012. Já a taxa anual de subutilização da força de trabalho caiu para 14,5%, uma redução de 1,7 ponto percentual em relação a 2024.

O emprego formal também apresentou crescimento, com o número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado aumentando 2,8%, totalizando 38,9 milhões, o maior patamar desde o início da medição. A informalidade apresentou leve queda, de 39% para 38,1%, indicando uma melhora na estrutura do mercado.

Rendimentos e setores que mais avançaram

O rendimento real habitual anual estimado em 2025 foi de R$ 3.560, um aumento de 5,7% ante 2024, o que equivale a um ganho médio de R$ 192. A massa de rendimentos habitual bateu recorde, alcançando R$ 361,7 bilhões, crescimento de 7,5% em relação ao ano anterior.

Entre os setores que mais cresceram em termos proporcionais estão as atividades de informação, comunicação e serviços financeiros, imobiliários, profissionais e administrativos, com alta de 6,8%, ocupando 13,4 milhões de pessoas, um aumento acumulado de 40,1% desde 2012. A administração pública, saúde, educação e serviços sociais também tiveram destaque, com 5% de crescimento e 19 milhões de ocupados em 2025.

Perspectivas para 2026 e análises de especialistas

Economistas avaliam que a baixa taxa de desemprego e o avanço da renda consolidam um ambiente favorável para o consumo e sustentação do crescimento econômico. Heliezer Jacob, economista do C6 Bank, destaca que os dados confirmam uma tendência estrutural positiva, criando uma base sólida para o consumo das famílias, mesmo diante dos desafios da política monetária.

Jacob projeta que a taxa de desemprego deve permanecer baixa em 2026, encerrando o ano próximo a 5,5%, acompanhada por um crescimento do PIB considerado potencial. Apesar disso, ele prevê um início gradual nos cortes da taxa básica de juros ao longo do ano, em um cenário de desaceleração econômica controlada.

Já Rafael Perez, economista da Suno Research, enfatiza que a solidez do emprego em 2025 não se limita apenas à quantidade de vagas, mas também à composição do mercado, com máxima formalização, renda real e massa de rendimentos. Apesar de sinais sazonais de desaceleração, ele espera uma leve elevação gradual do desemprego em 2026, sem deterioração relevante do cenário, mantendo o mercado de trabalho como um dos pilares da economia brasileira.

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