Índice do Artigo
- Pontos Principais
- Desaceleração Consolidada em Meio a Flutuações Trimestrais
- Ampla Distribuição da Queda entre os Diagnósticos
- Burnout: Um Alerta Persistente Fora da Contagem Principal
- O Debate Continua: Tendência ou Pausa?
- Perguntas Frequentes
- O que motivou a queda nos afastamentos por transtornos mentais?
- O burnout é considerado um transtorno mental para fins de afastamento?
- Qual a importância da NR-1 revisada nesse contexto?
- A queda nos afastamentos indica que o problema da saúde mental no trabalho foi resolvido?
- Quais são os transtornos mentais mais comuns que levam ao afastamento?
Pontos Principais
- Brasil registra queda de 13,2% nos afastamentos do trabalho por transtornos mentais no primeiro semestre de 2026, comparado ao mesmo período de 2026.
- Apesar da desaceleração, o volume de afastamentos ainda é considerado alto, com mais de 230 mil casos registrados em seis meses.
- A queda se distribui por diversas categorias de transtornos mentais, com destaque para ansiedade, depressão e transtorno bipolar.
- O burnout, embora não somado aos transtornos mentais na pesquisa, continua sendo um ponto de atenção e é majoritariamente classificado como afastamento previdenciário comum.
- Novas regulamentações exigem que as empresas gerenciem riscos psicossociais, integrando a saúde mental à agenda de compliance e sustentabilidade.
O panorama dos afastamentos trabalhistas por transtornos mentais no Brasil apresenta um novo contorno. Após um período de crescimento alarmante, com recordes sucessivos batidos em 2026, os primeiros seis meses de 2026 sinalizam uma possível desaceleração nesse cenário. A análise de dados públicos divulgados pelo INSS e pelo Ministério da Previdência Social, compilados pela Cajuína através do projeto Data Cajuína, revela uma redução de 13,2% nos afastamentos por problemas de saúde mental, o que equivale a 35.308 casos a menos em comparação com o primeiro semestre do ano anterior.
Brasil registra queda de 13% nos afastamentos do trabalho por transtorno mental em um movimento que, embora promissor, ainda exige cautela. Este é o primeiro indicativo consistente de reversão da tendência de alta observada nos últimos cinco anos. A queda representa um marco importante, mas o volume total de licenças médicas por questões psicológicas e psiquiátricas permanece elevado, exigindo atenção contínua de empresas e órgãos públicos.
Desaceleração Consolidada em Meio a Flutuações Trimestrais
Entre janeiro e junho de 2026, o país contabilizou 232.382 afastamentos por transtornos mentais. No mesmo período de 2026, esse número atingiu 267.690. A diminuição de 13,2% também se reflete na participação desses afastamentos em relação ao total de auxílios-doença concedidos, que caiu de 13,9% para 12,8%.
É importante notar que a análise trimestral aponta para uma dinâmica complexa. O segundo trimestre de 2026 registrou um aumento de 126.508 afastamentos em comparação com os 105.874 do primeiro trimestre. No entanto, o estudo da Cajuína esclarece que essa variação não indica uma retomada do crescimento geral. A desaceleração não ocorreu de maneira uniforme ao longo dos meses:
| Mês | Afastamentos (2026) | Variação vs. 2025 |
|---|---|---|
| Janeiro | 28.156 | -7,6% |
| Fevereiro | 27.512 | -28,1% |
| Março | 50.206 | +24,3% |
| Abril | 44.650 | -14,7% |
| Maio | 40.352 | -36,8% |
| Junho | 41.506 | -1,9% |
O mês de maio se destacou, sendo o principal responsável pelo resultado positivo semestral, com uma redução superior a um terço em relação ao ano anterior. Março, por outro lado, apresentou um aumento, atribuído a um mutirão de atendimentos realizado pelo INSS que antecipou milhares de avaliações.
Ampla Distribuição da Queda entre os Diagnósticos
Um dos aspectos mais positivos da pesquisa é que a tendência de queda não se concentrou em um único tipo de transtorno. A redução foi observada em praticamente todas as principais categorias diagnosticadas, demonstrando uma melhoria mais generalizada na saúde mental dos trabalhadores. Entre os diagnósticos com maior número de afastamentos, observou-se:
- Transtornos ansiosos: 74.016 casos (-7,7%)
- Episódios depressivos: 50.859 (-19,1%)
- Transtorno afetivo bipolar: 25.831 (-14,1%)
- Transtorno depressivo recorrente: 25.441 (-15,2%)
- Esquizofrenia: queda de 18,7%
- Transtornos relacionados ao uso de álcool: queda de 12%
Apesar da redução, os transtornos ansiosos continuam sendo a principal causa de afastamento, respondendo por cerca de 32% do total nos primeiros seis meses de 2026. As dez doenças mais frequentes somam mais de 93% de todos os afastamentos registrados, evidenciando a concentração de casos em um grupo específico de diagnósticos.
Burnout: Um Alerta Persistente Fora da Contagem Principal
É fundamental destacar que os casos classificados como “esgotamento profissional” ou burnout não são somados ao total de afastamentos por transtornos mentais nesta pesquisa específica. Isso ocorre porque o burnout se enquadra em outra categoria da Classificação Internacional de Doenças (CID). Caso fosse incluído no cálculo dos transtornos mentais, o burnout ocuparia a décima posição no ranking, superando transtornos específicos da personalidade.
O relatório também aponta para uma peculiaridade na forma como esses afastamentos são registrados: aproximadamente 80% dos casos são categorizados como Auxílio-Doença Previdenciário, e não como benefício acidentário. Essa classificação sugere que, mesmo quando o esgotamento profissional tem uma relação clara com o ambiente de trabalho, ele é predominantemente tratado como um afastamento de natureza comum, o que pode mascarar a real dimensão do problema.
O Debate Continua: Tendência ou Pausa?
A confirmação da desaceleração nos afastamentos por transtornos mentais representa um marco significativo, especialmente após cinco anos de crescimento contínuo. No entanto, os especialistas alertam que essa redução não significa a resolução do problema. O volume de mais de 230 mil afastamentos em apenas seis meses é expressivo e mantém a saúde mental como um dos principais motivos de concessão de auxílio-doença no país.
A entrada em vigor da revisão da Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que agora exige das empresas a identificação e o gerenciamento dos riscos psicossociais, reforça que a saúde mental deixou de ser apenas uma pauta de conscientização. Ela se consolida como um componente essencial na agenda de gestão de riscos, conformidade (compliance) e sustentabilidade corporativa. Para aprofundar sobre as exigências legais e melhores práticas, confira nosso guia completo sobre como atualizar seu currículo, pois a atenção à saúde mental e à gestão de riscos pode impactar diretamente sua carreira e a forma como as empresas buscam talentos.
Os próximos meses serão cruciais para determinar se o Brasil iniciou uma nova tendência de queda sustentável ou se está apenas vivenciando uma pausa momentânea após um longo ciclo de alta nos afastamentos por transtornos mentais. A observação contínua desses indicadores será fundamental para a formulação de políticas públicas e estratégias empresariais eficazes. A gestão de carreira e a busca por um ambiente de trabalho saudável são temas que ganham ainda mais relevância neste contexto. Para entender melhor como se destacar no mercado, saiba mais sobre as dinâmicas do mercado de trabalho e como se preparar para ele.
Perguntas Frequentes
O que motivou a queda nos afastamentos por transtornos mentais?
A queda nos afastamentos por transtornos mentais no Brasil, observada no primeiro semestre de 2026, é atribuída a uma combinação de fatores, incluindo uma possível maior conscientização sobre a importância da saúde mental no ambiente de trabalho e a implementação de novas regulamentações que incentivam a gestão de riscos psicossociais pelas empresas. Embora os dados sejam preliminares, a redução de 13,2% sugere um início de estabilização após anos de alta.
O burnout é considerado um transtorno mental para fins de afastamento?
Para fins da pesquisa em questão, o burnout não é somado diretamente aos afastamentos por transtornos mentais, pois ele é classificado em uma categoria distinta da CID. Contudo, o relatório destaca que, caso fosse incluído, o burnout representaria uma parcela significativa dos afastamentos. Além disso, a maioria dos casos de burnout é registrada como Auxílio-Doença Previdenciário, o que pode indicar que sua relação com o trabalho não é totalmente reconhecida como causa específica.
Qual a importância da NR-1 revisada nesse contexto?
A revisão da Norma Regulamentadora 1 (NR-1) é um marco importante, pois passou a exigir que as empresas identifiquem e gerenciem os riscos psicossociais em seus ambientes de trabalho. Isso eleva a saúde mental de uma questão de conscientização para um item obrigatório na agenda de gestão de riscos, compliance e sustentabilidade das empresas. A norma impulsiona a adoção de práticas preventivas e de controle, visando reduzir a incidência de problemas de saúde mental relacionados ao trabalho.
A queda nos afastamentos indica que o problema da saúde mental no trabalho foi resolvido?
Não, a queda nos afastamentos por transtornos mentais não significa que o problema foi resolvido. O volume de afastamentos ainda é consideravelmente alto, com mais de 230 mil casos registrados em seis meses. A redução observada é um sinal de desaceleração, mas a saúde mental no ambiente de trabalho continua sendo um desafio significativo que exige monitoramento constante, políticas de prevenção eficazes e um compromisso contínuo por parte das empresas e do governo. Para se manter atualizado sobre as melhores práticas de mercado e regulamentações, confira também nosso artigo sobre o calendário de recesso de fim de ano, que aborda questões de bem-estar e organização.
Quais são os transtornos mentais mais comuns que levam ao afastamento?
Os transtornos mentais mais comuns que levam ao afastamento no Brasil, mesmo com a recente queda nos índices, continuam sendo os transtornos ansiosos, que representam a maior parcela dos casos (cerca de 32% no primeiro semestre de 2026). Seguem de perto os episódios depressivos e o transtorno afetivo bipolar, além do transtorno depressivo recorrente. Essas condições, juntas, demonstram a persistência da carga mental sobre os trabalhadores e a necessidade de intervenções focadas.
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